QUALICITRUS NA MÍDIA

Matéria da Revista Empreendedor Rural - Outubro de 2006

A história de Arnaldo Pastre no agronegócio começou em 1986, quando foi a Israel e conheceu a citricultura daquele país. O que lhe chamou a atenção, além do povo ter conseguido driblar as limitações climáticas (pouca chuva e solo de péssima qualidade), foi a produção de mudas em estufas e ambientes protegidos.

Na época ainda estudante percebeu que isto poderia dar certo no Brasil, onde a mesma produção era feita no solo há mais de cem anos. "A prática estava enraizada na mente, nem se falava em mudas de estufa, mas eu não tinha experiência nem dinheiro para investir e o sonho ficou adormecido até 1993, quando me formei em Agronomia", diz Pastre.

Como o pai já trabalhava com frutas cítricas, Pastre conseguiu convencê-lo a construir uma estufa onde seriam produzidas as mudas para a utilização na própria fazenda. O pai acabou aceitando a novidade.

"Comecei a vender as mudas para os vizinhos e o negócio começou a dar certo" .

O aparecimento de uma doença chamada Xylella Fastidiosa (bactéria causadora da praga do amarelinho que provoca o amadurecimento precoce e o endurecimento dos frutos) começou a dizimar os pomares paulistas em 1996. Foi quando o negócio de Pastre começou a crescer. Em uma tentativa de contornar o problema o Governo definiu a partir de 1º de janeiro de 2000 que seriam proibidas a produção e comercialização de mudas produzidas a céu aberto. "Aí quase num piscar de olhos e sem querer eu já estava com experiência no assunto, já que fui um dos pioneiros nesta forma de produção de mudas. Então, comecei a produzi-las comercialmente e dar consultorias para outros viveiros, já que é obrigatória a presença de um agrônomo".

No começo, havia pouca informação sobre a produção de mudas cítricas e quase nenhuma instituição de pesquisa envolvida, foi preciso insistir.
"Tinhamos que aprender o produção no dia-a-dia. Nem viveiristas, nem empresas possuiam um pacote pronto ou uma receita, mas com bastante empenho e vontade para enfrentar as mudanças conseguimos passar por todos os obstáculos. Hoje o Brasil é referência no mundo em produção de mudas em estufas".

O sucesso na nova forma de cultivo, entretanto, também gerou um excesso de oferta, derrubando os preços. As indústrias passaram a pagar menos e o produtor teve de tirar o pé do acelerador. Mas a maior dificuldade que o setor ainda enfrenta, segundo Pastre é o baixo preço do dólar. Para Pastre, hoje é preciso entrar no negócio já dominando o assunto. "Ou você se especializa ou contrata um profissional da área para assessorá-lo. Não há mais espaço para amadores. O remédio é amargo, mas é esse".

Para conseguir se manter bem posicionado no mercado, Pastre investiu na participação em eventos, na organização de palestras e principalmente em leituras. Foi em uma dessas leituras que ele descobriu a principal causa do declínio da produção de citros no Brasil: a falta de um sistema radicular pivotante. Neste sistema, os recipientes utilizados na formação dos porta-enxertos são projetados especialmente para citros e têm 25 centímetros de comprimento, o dobro do tamanho dos recipientes convencionais. "Percebi que algo tinha que ser mudado, o tubete (recipiente onde as mudas se desenvolvem) era o mesmo utilizado na produção de uma concepção totalmente errada". O resultado é uma muda com raiz principal perfeitamente reta até o fundo da sacola e com grande quantidade de radicelas (raízes menores e laterais) que garantem mais facilidade ao pegar e maior longevidade do pomar. A muda protegida pode ser plantada em qualquer época, não tem corte, não sofre estresse e já está climatizada.

Ele levou a idéia dos novos porta-enxertos a um professor que ajudou a aperfeiçoar a técnica. Em 2003, um pesquisador que participava do congresso de fitopatologia em Belém (PA) conheceu o sistema usado na Qualicitrus e conseguiu publicá-lo no Anuário de Fitopatologia, sendo reconhecido na categoria Inovação Tecnológica. "Depois disso, o sistema de raízes pivotantes foi tema de várias teses e em função disso e da qualidade das minhas mudas recebo visitas de todas as partes do mundo, mas o maior prêmio é o contentamento de meus clientes", avalia. "Oferecemos qualidade nas vendas e no pós-venda, orientando o produtor para que a muda se desenvolva bem. Dessa forma, conquistamos clientela e sentimos menos as crises".

Entre os principais clientes da empresa estão citricultores de todo o território nacional. As mudas são produzidas sob encomenda e entregues em caminhões fechados. Excluindo as indústrias de suco, que são as maiores produtoras de mudas (consumo próprio), a Qualicitrus é a quarta empresa em quantidade produzida no seu segmento no Brasil. "Mas em tecnologia e produtividade não perco para ninguém", diz Pastre.

Ele atribui o sucesso do negócio à crença de que iria dar certo e à dedicação. "Acreditei em um negócio e só tinha olhos para aquilo. Sempre procuro ser o melhor no que faço e me snto muito feliz por dar empregos, aprender e ensinar as pessoas qeu estão à minha volta", diz.

Fonte: Revista: Empreendedor Rural, Ano V, nº 9 - Outubro de 2006.

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